Introdução
Shalom aos irmãos que acompanham este espaço de estudo e reflexão, e que as berachot do Eterno estejam sobre todos, B’Shem Yeshua HaMashiach.
O objetivo deste estudo é esclarecer uma das concepções mais difundidas — e equivocadas — no meio religioso: a ideia de que Yeshua HaMashiach teria abolido a obediência à Torá. Para isso, o texto se apoia diretamente no testemunho dos talmidim, homens que conviveram com Yeshua, foram instruídos por Ele e deixaram registrados, em seus escritos, princípios claros sobre fidelidade, obediência e justiça segundo a vontade do Eterno.
Entenda a obediência dos talmidim de Yeshua à Torá (Lei) do Eterno
Uma das visões mais equivocadas da Nova Aliança é a ideia de que, por meio dela, Yeshua extinguiu a obediência às leis contidas no Antigo Testamento.
“Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a D´us do que aos homens” (Atos 5:29).
Como temos visto repetidas vezes, essa concepção errada foi ensinada — com muitas variações — por quase dois mil anos. Por isso, é crucial esclarecer definitivamente o que os apóstolos de Yeshua realmente ensinaram sobre as leis que definem a justiça encontrada no Antigo Testamento.
Aqueles que insistem que o Novo Testamento ensina que o Antigo Testamento é irrelevante e anacrônico para os seguidores do Messias de hoje ignoram a abundância de evidências em contrário dentro desse mesmo Novo Testamento.
A maneira mais simples de entender como o Antigo Testamento se aplica aos seguidores sob a Nova Aliança é observar diretamente o que os apóstolos ensinaram sobre o assunto. Afinal, esses homens eram os mais próximos a Yeshua, passaram muito tempo com Ele e foram ensinados pessoalmente por Ele.
Primeiro, vamos olhar para Yacoov (Tiago), Kefa (Pedro), Yochanan (João) e Yudah (Judas), cujas epístolas levam seus nomes. Seus escritos são chamados de epístolas gerais porque são dirigidas a todos os seguidores e incluem instruções gerais. Em seguida, deixaremos que Shaul Hashalia (Paulo) explique por si mesmo como ele se posicionava quanto à obediência às Escrituras do Antigo Testamento.
A visão de Tiago acerca da Lei
Aparentemente, a epístola de Tiago foi a primeira, dentre esses quatro escritores, a ser escrita, algum tempo antes de seu martírio, em 62 d.C. Como meio-irmão de Yeshua (Mateus 13:55), ele estava, sem dúvida, intimamente familiarizado com a atitude e a abordagem de Yeshua quanto ao Antigo Testamento e às leis de D´us.
Tiago não poderia ser mais claro quanto ao seu entendimento de como as leis de D´us deveriam ser aplicadas aos seguidores do Messias. Ele se refere à lei como a “lei real” (Tiago 2:8) e a “lei da liberdade” (versículo 12), reconhecendo que a obediência à lei nos liberta do pecado e de suas consequências prejudiciais.
“Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” (Tiago 1:25).
Ele novamente defende especificamente a guarda dos mandamentos de D´us ao escrever:
“Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis” (Tiago 2:8; citando Levítico 19:18).
Tiago explica que não podemos escolher quais mandamentos de D´us devemos obedecer e conclui que devemos falar e agir “como devendo ser julgados pela lei da liberdade” (versículo 12).
Ele também ensina que simplesmente declarar fé é insuficiente — até os demônios creem (versículo 19). Usando os exemplos de Abraão e Raabe, do Antigo Testamento, demonstra que a fé deve ser acompanhada de ações, pois a fé sem obras é morta (versículos 17–26).
Além disso, Tiago aponta que não basta apenas evitar o pecado: se sabemos fazer o bem e não o fazemos, isso também é pecado (Tiago 4:17). Assim como Yeshua no Sermão da Montanha (Mateus 5:17–48), Tiago chama os seguidores para um padrão mais elevado do que a mera observância literal da lei — um viver alinhado à sua plena intenção espiritual.
A visão de Pedro acerca da Torah
Pedro utiliza o Antigo Testamento como sua autoridade
O apóstolo Pedro era um líder entre os apóstolos e desempenhou papel fundamental na comunidade primitiva. Apenas duas de suas cartas foram preservadas — 1 e 2 Pedro — ambas escritas, ao que tudo indica, na década de 60 d.C., antes de seu martírio em 67 ou 68 d.C.
Embora o tema da guarda da lei não apareça de forma direta em suas epístolas, suas palavras deixam claras suas convicções. Ele repete a ordem de D´us em Levítico 11:44:
“Sede santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1:15–16).
Citando Isaías 40:8, lembra-nos que “a palavra do Eterno permanece para sempre” (1 Pedro 1:25).
Pedro compara a comunidade de fé a um novo templo sendo edificado para D´us (1 Pedro 2:5) e descreve os membros como um novo sacerdócio dedicado a servi-Lo (versículos 5 e 9). Ele menciona Sara, Abraão e Noé (1 Pedro 3:6, 20) e cita o Antigo Testamento mais de uma dúzia de vezes como autoridade.
Em sua segunda epístola, escrita pouco antes de sua morte (2 Pedro 1:14–15), Pedro afirma que os profetas do Antigo Testamento falaram sob inspiração do Espírito Santo de D´us (2 Pedro 1:20–21). Ele também recorda os juízos divinos nos dias de Noé e em Sodoma e Gomorra como exemplos para os ímpios (2 Pedro 2:5–6), além de citar Balaão como exemplo de desobediência (2 Pedro 2:15).
Pedro conclui exortando à atenção contínua às palavras dos profetas do Antigo Testamento e dos apóstolos (2 Pedro 3:1–2).
A visão de João acerca da Torah
João ensina a obediência aos mandamentos de D´us
João, “o discípulo a quem Yeshua amava” (João 21:7, 20, 24), escreve de forma contundente sobre a necessidade de guardar os mandamentos de D´us. Suas epístolas, escritas entre 85–95 d.C., quando ele era o último dos doze apóstolos ainda vivo, são claras:
“E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade” (1 João 2:3–4).
“Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei” (1 João 3:4).
“E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável à sua vista” (1 João 3:22).
“Porque este é o amor de D´us: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (1 João 5:2–3).
“E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos” (2 João 6).
A visão de Judas acerca da Torah
Judas, assim como Yacoov (Tiago), era meio-irmão de Yeshua (Mateus 13:55) e O conhecia desde a infância. Embora sua epístola tenha apenas 25 versículos, ela contém numerosas referências ao Antigo Testamento, incluindo o período do deserto, Sodoma e Gomorra, Moisés, Caim, Balaão, Coré e Enoque.
O testemunho desses homens que aprenderam diretamente de Yeshua é inequívoco: eles defendem o Antigo Testamento como revelação inspirada de D´us para todas as gerações e afirmam que guardar Seus mandamentos continua sendo requisito para os seguidores do Messias.
Como os ensinamentos de Paulo foram corrompidos
Paulo escreveu a Timóteo:
“Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16–17).
A Escritura à qual Paulo se refere é o Antigo Testamento, conhecido por Timóteo desde a infância. Ainda assim, muitos teólogos modernos afirmam que Paulo considerava essas Escrituras obsoletas, distorcendo passagens difíceis de compreender e ignorando a advertência de Pedro (2 Pedro 3:15–16).
Os próprios registros de Atos demonstram que Paulo defendia sua fidelidade à Lei e aos Profetas (Atos 21–25), declarando crer em tudo o que está escrito na Lei e nos Profetas (Atos 24:14–16).
Esses testemunhos desmontam a ideia de que Paulo ensinou contra a Lei de D´us. Ao contrário, ele reconhecia:
“De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da Lei” (Romanos 7:7).
Nota Final
Mantivemos os nomes na forma da língua portuguesa (paganizados) para melhor compreensão do público, especialmente de nossos irmãos cristãos.
Agradecemos a atenção de todos.
📌 Autor
Moreh Fábio Pires
(permitida a reprodução mediante citação do autor)