CEET Derech Zahav:

Estudos de Torah e Brit Hadasha

Descubra a base hebraica original das Escrituras e viva a fé como Yeshua HaMashiach viveu.

Re’eh – Deuteronômio 11:26–16:17

Parashá Re’eh

Estrutura e Conteúdo da Parashá

A Parashá Re’eh (ראה — “Vê”) convida Israel a contemplar conscientemente a escolha entre bênção e maldição, entre seguir os mandamentos divinos ou afastar-se deles. Moshe reforça a importância de um culto centralizado, da pureza espiritual e da justiça social. Esta porção estabelece o fundamento da vida comunitária de Israel na Terra Prometida, regulando a adoração, a alimentação, o cuidado com os necessitados e as festas sagradas.

1. A escolha entre bênção e maldição – Deuteronômio 11:26–32

• Moshe declara: “Vê, eu ponho diante de vocês hoje a bênção e a maldição.”
• A bênção virá se obedecerem aos mandamentos do Eterno, e a maldição, se os rejeitarem.
• Essa escolha deve ser proclamada nos montes Gerizim e Ebal após a entrada na terra.

 

📜 Rashi (Devarim 11:26):
Observa que a palavra “Re’eh” está no singular, enquanto “diante de vocês” está no plural — ensinando que cada indivíduo deve enxergar sua responsabilidade pessoal, ainda que as consequências atinjam toda a comunidade.

 

📜 Ramban:
Explica que esta passagem ensina a liberdade moral: a escolha é humana, mas as consequências são divinas.

2. O local escolhido por D’us para o culto – Deuteronômio 12:1–32

• Moshe ordena destruir todos os altares pagãos e centralizar o culto ao Eterno em um só lugar, “que D’us escolherá”.
• É proibido oferecer sacrifícios em qualquer outro local.
• São dadas instruções sobre o consumo de carne e o derramamento de sangue.

 

📜 Sforno (Devarim 12:5):
Explica que o local escolhido por D’us simboliza unidade e pureza de adoração — o povo deveria aprender a servir a um só D’us em um só coração.

 

📜 Rashi (Devarim 12:8):
Lembra que, no deserto, cada um podia sacrificar onde quisesse, mas ao entrar na terra, o culto seria organizado e centralizado para evitar a idolatria.

3. Advertência contra a idolatria e falsos profetas – Deuteronômio 13:1–19

• O povo é instruído a rejeitar qualquer profeta ou sonhador que incentive o culto a outros deuses, mesmo que realize sinais.
• Cidades inteiras que se desviem devem ser julgadas e purificadas.

 

📜 Ramban (Devarim 13:4):
Enfatiza que até mesmo milagres não podem contradizer a Torá, pois a fidelidade à Palavra é superior a qualquer sinal visível.

 

📜 Midrash Tanchuma (Re’eh 6):
Afirma que o verdadeiro profeta conduz o povo de volta à obediência, não ao fascínio do sobrenatural.

4. Leis alimentares e identidade espiritual – Deuteronômio 14:1–21

• O povo de Israel é chamado a ser santo, distinto entre as nações.
• São reafirmadas as leis de kashrut: animais puros e impuros, aves e peixes, e a proibição de cozinhar o cabrito no leite da mãe.

 

📜 Rashi (Devarim 14:1):
Explica que “vocês são filhos do Eterno” — portanto, devem se comportar com dignidade e pureza, refletindo o caráter divino.

 

📜 Sforno:
Interpreta a kashrut como disciplina espiritual que molda o caráter e refina o corpo para o serviço divino.

5. Tzedaká e o cuidado com os necessitados – Deuteronômio 14:22–15:23

• São apresentadas as leis do dízimo e do ano da remissão (Shemitá), que libera dívidas e escravos hebreus.
• O povo é incentivado a abrir a mão para os pobres e compartilhar as bênçãos.

 

📜 Ramban (Devarim 15:11):
Comenta que a Torá reconhece a realidade da desigualdade, mas transforma a solidariedade em mandamento — uma forma de imitar a generosidade divina.

 

📜 Midrash Rabbah (Devarim 5:13):
Diz que quem sustenta o necessitado é como se sustentasse o próprio D’us, pois a Tzedaká é a base da criação.

6. As três festas de peregrinação – Deuteronômio 16:1–17

• Moshe recorda as três grandes festas:
Pessach (a libertação do Egito)
Shavuot (a entrega da Torá)
Sucot (a alegria da colheita e da presença divina).
• Todas exigem a presença diante do Eterno em Jerusalém, com ofertas conforme a bênção recebida.

 

📜 Rashi (Devarim 16:16):
Explica que “ninguém deve se apresentar de mãos vazias”, pois a adoração verdadeira requer gratidão e entrega.

 

📜 Sforno:
Comenta que as festas unem o povo em memória, alegria e renovação espiritual, fortalecendo a identidade coletiva.

📚 Referências Bibliográficas:

  • Torá / Tanach – Deuteronômio 11:26–16:17

  • Rashi – Comentário à Torá (Devarim 11:26; 12:8; 14:1; 16:16)

  • Ramban (Nachmanides) – Comentário à Torá (Devarim 13:4; 15:11)

  • Sforno – Comentário à Torá (Devarim 12:5; 14:21; 16:16)

  • Midrash Tanchuma (Re’eh 6)

  • Midrash Rabbah (Devarim 5:13)

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Moreh Fábio Pires

Moreh Fábio Pires, fundador do CEET Derech Zahav, ensina a fé judaico-messiânica com base na Torah e em Yeshua, restaurando as raízes hebraicas da fé.

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