Introdução
Ao longo da história bíblica, a relação do ser humano com a Verdade revelada por HaShem sempre foi marcada por tensão, resistência e, muitas vezes, conveniência. Desde os dias dos profetas até o período da Brit Hadashá, a EMET do Eterno confronta sistemas religiosos, estruturas humanas e interesses pessoais que preferem moldar a fé segundo seus próprios critérios.
Este artigo propõe uma reflexão profunda sobre como a Verdade de Adonai tem sido tratada: se com submissão, temor e observância, ou se de forma seletiva, adaptada à comodidade espiritual. À luz das Escrituras, da restauração das raízes hebraicas da emunah e do testemunho dos profetas, somos convidados a examinar não apenas o conteúdo daquilo em que cremos, mas também a forma como vivemos essa Verdade.
A Verdade que não busca reconhecimento humano
Esta reflexão não nasce do desejo de formar seguidores, admiradores ou defensores de uma pessoa, doutrina, filosofia ou ideologia humana. Toda a k’vod, referência e amor pertencem exclusivamente a Adonai. O reconhecimento humano é insuficiente para sustentar a emunah; somente o reconhecimento de HaShem possui valor eterno. No grande Dia do Julgamento Divino, que se aproxima com o advento de Seu Mashiach, toda a iniquidade será confrontada, e a Verdade do Eterno será estabelecida, quer o homem a aceite ou não.
EMET e a restauração das raízes hebraicas da fé
No processo de restauração às raízes hebraicas da emunah, muitos conceitos têm sido assimilados, entre eles:
O resgate da identidade de Ye’shua como judeu da tribo de Yehudá;
A compreensão do Cristianismo como uma religião paralela institucionalizada a partir do século IV, em detrimento da doutrina transmitida aos patriarcas Avraham, Itzchak e Yaacov, e a consequente deturpação das palavras do Messias e de Seus seguidores na Brit Hadashá;
O reconhecimento do Quarto Mandamento, o Shabat, como válido até os dias atuais e de importância central na vida do servo de HaShem;
A substituição de uma mentalidade greco-romana por uma mentalidade hebraica na leitura das Escrituras, especialmente da Brit Hadashá, evitando a distorção da figura de Yeshua como filósofo helenista e a má interpretação das cartas de Shaul HaShaliach;
A percepção de um sistema religioso que, ao longo dos séculos, promoveu antissemitismo, heresias, deturpações das cartas apostólicas e a tentativa de substituir Israel e seu legado, afastando-se da guarda legítima da Torá.
O compromisso com a EMET acima das instituições
O compromisso aqui não é com uma religião institucional, mas com a EMET de HaShem — a mesma Verdade perseguida e proclamada pelos profetas. Yirmeyahu, Yesha’yahu, Ezra, Elyahu e tantos outros viveram essa fidelidade de forma tão intensa que confrontariam muitos líderes religiosos da atualidade.
Tudo o que é escrito nasce da consciência de pecado, da necessidade de direção, luz e chesed concedidos por Adonai Elohim. A providência divina acompanha o ser humano desde o nascimento até a morte, e a caminhada na Verdade frequentemente envolve perdas, conflitos e confrontos pessoais.
Verdade, julgamento e responsabilidade espiritual
HaShem não terá ninguém por inocente. O profeta Naum já advertia:
“Adonai é vingador e cheio de furor; Adonai toma vingança contra os seus adversários… ao culpado não tem por inocente.”
(Naum 1:2–3)
O que se propõe não é uma narrativa conspiratória ou insana, mas um chamado à lucidez espiritual. Muitos dizem crer na Verdade do Eterno por conveniência, comodidade, falsidade ou interesses pessoais. Contudo, a Palavra permanece firme:
“Santifica-os pela tua verdade; a tua Palavra é a verdade.”
(Yochanan 17:17)
Conclusão: Em Qual Verdade Vivemos?
A questão final não é apenas em qual verdade dizemos crer, mas como escolhemos viver por ela. A EMET do Eterno exige submissão, arrependimento, observância e compromisso contínuo.
Que Adonai vos abençoe abundantemente,
B’Shem Yeshua HaMashiach.
📌 Autor
Moreh Fábio Pires
(permitida a reprodução mediante citação do autor)